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“Essa criança é bagunceira demais... Ela é hiperativa!” – Já ouvi muitas pessoas usando essa expressão. Como professora conheci colegas de trabalho e familiares que buscavam a hiperatividade como uma desculpa para explicar algum comportamento de determinado aluno ou filho.

O conceito de hiperatividade é comum e de conhecimento mais popular, geralmente utilizado quando se fala de crianças levadas, desinteressadas e inquietas; mas isto está favorecendo a generalização dos sintomas e a utilização do termo de forma indevida, gerando equívocos na sociedade em geral. A utilização deste termo de forma indevida pode ocasionar rotulações em crianças que nada tem a ver com este problema. Ou pelo contrário, crianças que de fato a possuem ficam tempos sem serem corretamente diagnosticadas, acarretando outras problemáticas sérias para o desenvolvimento dela. Além disso, ele é responsável pela enorme frustração de pais e professores quando colocados frente ao tema.


Seu filho possui um diagnóstico de hiperatividade? Veja: Como lidar com crianças hiperativas

Criança em um quarto bagunçado

1 – O QUE É HIPERATIVIDADE?

A hiperatividade é um dos sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que também apresenta como sintomas principais a desatenção e a impulsividade. Especialistas afirmam que eles podem ser apresentados por outros problemas da infância e que variam dependendo da criança e da faixa etária. Aparecem mais claramente em fase escolar quando a criança precisa aumentar sua concentração.

Vale lembrar que é normal geralmente criança apresentar certo grau de agitação. Portanto, para diagnosticá-la como tal é necessário que esta interfira de forma negativa em sua vida social e escolar. Fatores orgânicos e ambientais influenciam na hiperatividade, mas ainda não se sabe sua real causa.

Seu diagnóstico completo inclui exames clínico-laboratoriais, avaliação psicológica e reconhecimento do comportamento da criança em todos os ambientes que ela frequenta, para isso, faz-se necessário a entrevista com pais e professores. A Hiperatividade não tem cura, mas pode ser administrada através de medicamentos (em alguns casos) e subsídios dados a pessoa do convívio para que estes saibam como ajudar a criança hiperativa. A família e a escola devem caminhar juntas para ajudar essas crianças.

2 – HIPERATIVIDADE: ALGUMAS CARACTERÍSTICAS

No livro Hiperatividade - como desenvolver a capacidade de atenção da criança (1994) GOLDSTEIN e GOLDSTEIN descrevem quatro comportamentos típicos que se apresentam em crianças hiperativas:

  • Desatenção e distração: com frequência tem dificuldades para manter a atenção distraindo-se facilmente com qualquer coisa, Os portadores são facilmente distraídos por estímulos irrelevantes e habitualmente interrompem tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais; esquecem dos compromissos marcados e não atendem a solicitações.

  • Superexcitação e atividade excessiva: inquietação e agitação constante, mexendo as mãos e os pés. Suas reações emocionais são imprevisíveis.

  • Impulsividade: as crianças hiperativas agem sem pensar; conhecem as regras, mas, sua agitação não permite parar para refletir.

  • Dificuldade com frustrações: as crianças hiperativas possuem muitas dificuldades em lidar com metas que estão distantes.


Os comportamentos típicos citados acima podem variar de acordo com a criança e a faixa etária, assim, é necessário conhecer os comportamentos comuns esperados para cada fase de desenvolvimento.

Uma característica muito importante a ser observada que se apresenta em crianças da primeira infância que demonstram os primeiros indícios de hiperatividade é a dificuldade com a linguagem.

Os autores também apontam que a habilidade de fazer amizades e mantê-las é um fator que deve ser considerado muito relevante para a saúde e o bem-estar de uma pessoa, contudo, crianças hiperativas por causa de seu comportamento inquieto, impulsivo (agindo antes de pensar, gerando conflitos facilmente), fala excessiva, dificuldade em esperar a sua vez e interrupção constante podem apresentar dificuldades com as relações de amizade, principalmente se tem envolvimento em muitas brigas e se são menos queridos que as outras crianças em um mesmo grupo; assim, observar as relações pode ser um fator muito importante na observação de um possível hiperativo. Apesar de tudo, é habitual nas avaliações diagnósticas ignorar este fator, gerando um ponto negativo nas relações sociais.

Algumas características da hiperatividade podem já ser observadas em crianças pequenas, todavia, a hiperatividade só fica evidente no período escolar, quando é preciso aumentar o nível de concentração para aprender.

Dizem os mesmos autores que, professores os quais tem uma criança hiperativa em sua turma dizem que ela apresenta diversas e imprevisíveis manifestações comportamentais na escola e, geralmente é desatenta, perdendo rapidamente o foco nas atividades as quais estão realizando e, costumam querer realizar outras coisas, não respondendo a estímulos. Eles despertam as atenções das pessoas para o fato que por não conseguirem corresponder às expectativas da escola, muitas crianças podem ficar irritadas ou agressivas, ou se fechando em si, tornando-se deprimidas ou retraídas. Assim, é muito importante termos em mente, que certo grau de hiperatividade ocorre normalmente nas crianças, e nem por isso elas têm o transtorno. Para dizer que a pessoa tem realmente esse problema, a hiperatividade, tem que ocorrer de tal forma a interferir no relacionamento social do individuo, na sua vida escolar e se adulto, no seu trabalho.

No curso Como lidar com crianças hiperativas você pode aprender um pouco mais sobre o desenvolvimento humano e o TDAH.

3 – MAS, COMO REALIZAR UM DIAGNÓSTICO CUIDADOSO?

        Os pais não devem dar um diagnóstico de TDAH para um filho. Se possuírem alguma dúvida quanto ao comportamento de sua criança, eles devem procurar uma equipe médica com Pediatra, Neurologista e Psicopedagoga para realização de uma meticulosa avaliação médica.

Goldstein e Goldstein (1994) indicam oito tipos de informações para serem observadas em um diagnóstico meticuloso:

1. Histórico: Os pais devem abrir todo o histórico familiar, de comportamento e de desenvolvimento de seu filho, pois, todas as informações são relevantes para a avaliação.

2. Inteligência: embora a inteligência não influencie em um comportamento inadequado, a velocidade de raciocínio ajuda muito quando se pensa impulsivamente.

3. Personalidade e desempenho emocional: É muito importante avaliar a personalidade e o desempenho emocional da criança em processo diagnóstico, incluir dados atuais sobre ela, necessitando de uma conversa direta, buscando observar como a criança se sente em relação a si próprio, suas dificuldades e as expectativas que o mundo adulto tem para com ela.

4. Desempenho escolar: Uma parte muito importante da avaliação da criança é o seu desempenho escolar.

5. Amigos: Conhecer como a criança está em relação às amizades é importantíssimo, porque crianças hiperativas apresentam dificuldades nos relacionamentos. Essas informações podem ser obtidas por intermédio de conversas e questionários com os pais, a criança e os professores.

6. Disciplina e comportamento em casa: O verdadeiro comportamento da criança hiperativa pode ser observado quando ela se encontra sozinha, pois, influências familiares podem agravar o problema; então, os pais devem fornecer dados de como estão educando esta criança.

7. O comportamento na sala de aula: Saber qual o comportamento da criança na escola é muito relevante para a avaliação, pois, uma criança diagnosticada com hiperatividade demonstra o mesmo comportamento em todos os lugares.

8. A consulta médica: Um diagnóstico clínico é imprescindível para a avaliação da hiperatividade.


4 – HIPERATIVIDADE! E AGORA?

        O primeiro passo que os pais devem fazer para auxiliar o seu filho é buscar informações sobre o transtorno, buscando compreender como este funciona no seu filho, seus consequentes problemas e como eles podem ajudá-lo.

Devem sempre ter em mente que a hiperatividade não é curada, mas sim que ela deve ser administrada com sucesso por meio de tratamentos médicos, que são o uso de medicamentos (em alguns casos), e os não-médicos, que são os subsídios que pais e professores devem aprender para ajudarem a criança hiperativa.

Também, compreender que a punição não é bom método para se lidar com crianças hiperativas, pois, estas são na verdade inábeis e não simplesmente desobedientes. Repreender as atitudes da criança de forma contundente, autoritária e sem explicar os motivos, podem fazer com que ela perceba o seu meio social como um ambiente manipulador e hostil.

Goldstein e Goldstein (1994) afirmam que as maiores dificuldades dos pais de lidarem de forma adequada com seus filhos hiperativos, que seria reforçar as atitudes esperadas ao invés de punir as indesejadas, se deve ao fato de, além de ser difícil mudar esse hábito, os pais nem sabem bem ao certo como querem ver as crianças agindo; portanto, o terceiro passo para os pais ajudarem seus filhos é procurarem dar ordens positivas.

O quarto passo indicado por os mesmos autores é que os pais busquem entender claramente a diferença entre desobediência e a incapacidade no seu filho, procurando administrar e a estruturar as dificuldades no seu comportamento. É essencial que os pais promovam o sucesso no seu filho, dando ordens positivas e encontrando maneiras de elogiá-los.

Outra atividade bastante positiva colocada por Goldstein e Goldstein (1994) é a automonitoria pela criança. Nela, os pais devem ajudar seus filhos a organizar seu tempo e a monitorar suas atividades.

Em relação à dificuldade para a criança conquistar e manter as amizades, a primeira etapa colocada por Goldstein e Goldstein (1994) é ajudá-la a solucionar os problemas de relacionamento, depois reforçar as atitudes positivas na criança e, por último, auxiliar a criança a fazer novas amizades.

No curso Como lidar com crianças hiperativas você pode aprender um pouco mais sobre a família e o TDAH.

Mas, qual será o papel da escola frente a tudo isso?
Os professores de crianças hiperativas sentem as mesmas angústias apresentadas pelos pais e possuem a mesma necessidade de serem auxiliados, porém, sempre se pensando que não existe uma fórmula correta; assim, o professor deve ter um repertório de intervenções para ser desenvolvido para educar e melhorar as dificuldades apresentadas por hiperativos.

O correto seria que os ambientes educacionais estruturassem suas salas de aulas que possuem hiperativos com menos alunos por turma, para que a professora possa trabalhar de um modo mais individualizado. Além disso, a criança deve ser colocada perto da professora, em um local que não haja muitos estímulos para sua distração, além de valorizar a rotina (porque deixa a criança mais segura) e possuir regras bem claras.

Você tem um aluno com diagnóstico de hiperatividade? Como lidar com a criança portadora de TDAH na escola

Por meio de diagnóstico e tratamentos corretos, um grande número de problemas (como depressão, fracasso escolar e uso de drogas) podem ser melhorados ou até evitados. O tratamento mais eficaz para o Transtorno de Hiperatividade é um acompanhamento multidisciplinar, em que todos os profissionais trabalham de comum acordo, junto com os pais, a escola e os professores, oferecendo a ajuda necessária em cada esfera especifica. 

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